
Entenda como preparar e aplicar a termografia em motores elétricos, avaliar a severidade das anomalias e documentar a inspeção corretamente.
A termografia em motores elétricos costuma começar com uma cena simples: durante a rota de inspeção, o técnico chega ao ativo, aponta a câmera e registra uma imagem térmica.
No entanto, quando não existe um roteiro claro de medição, o laudo pode ficar genérico, limitado à indicação de um ponto quente e sem informação suficiente para orientar a manutenção.
Isso acontece porque cada região do motor apresenta um comportamento térmico diferente. Carcaça, caixa de ligação, mancais e sistema de ventilação precisam ser avaliados de forma comparativa, considerando a condição de carga e uma referência térmica adequada.
Por isso, uma inspeção termográfica em motor não deve se resumir a uma imagem isolada. Para gerar um diagnóstico acionável, é necessário saber onde medir, qual a carga do motor e o regime de operação, como interpretar a diferença de temperatura e quais informações devem ser registradas.
Antes de chegar aos pontos de medição propriamente ditos, vale revisar os ajustes que garantem um termograma confiável, os critérios de severidade baseados em ΔT (a variação de temperatura) e os elementos que a documentação da inspeção deve reunir, sempre alinhados às referências técnicas aplicáveis.
Antes de percorrer os pontos de medição, alguns ajustes precisam ser definidos para que o termograma seja comparável ao longo do tempo.
Ignorar essa etapa é uma das causas mais comuns de laudos inconsistentes entre inspeções, e boa parte dela segue a lógica de padronização prevista na ISO 18434, referência técnica para termografia aplicada à manutenção de máquinas.
Definidos esses parâmetros, o inspetor preditivo, ou termografista, deixa de ser apenas um “tirador de fotos” da condição térmica e passa a atuar como analista do comportamento térmico do ativo, o que é a base para um laudo consistente.
Para que a inspeção gere informações úteis, a câmera deve registrar regiões que representam condições elétricas, mecânicas e térmicas diferentes do motor. Confira a seguir os principais pontos de medição:
A carcaça mostra o comportamento térmico geral do motor. Um aquecimento acima do padrão histórico pode estar relacionado a sobrecarga, ventilação insuficiente ou mudança nas condições de operação, por exemplo.
A caixa de ligação permite avaliar terminais, cabos e conexões elétricas. Pontos quentes localizados podem indicar aumento da resistência de contato causado por mau contato ou degradação da conexão.
Como essa medição costuma ocorrer perto de partes energizadas, ela deve seguir as diretrizes de segurança elétrica da NR-10.
Os mancais devem ser comparados entre si e com o histórico do equipamento.
Um aquecimento localizado pode estar associado à lubrificação insuficiente ou excessiva, ao desgaste, ao desalinhamento, à carga ou a condições inadequadas de montagem.
A região do ventilador e da tampa traseira ajuda a avaliar o fluxo de ar responsável pelo arrefecimento do motor.
Um padrão térmico anormal nessa área pode direcionar a inspeção para obstruções nas entradas ou nos canais de ventilação, acúmulo de contaminantes ou redução do desempenho do ventilador.

Na termografia em motores elétricos, a severidade de uma anomalia pode ser avaliada pela diferença de temperatura, ou ΔT, entre o ponto analisado e uma referência adequada:
ΔT = temperatura do ponto analisado − temperatura de referência
Assim, a referência pode ser um componente equivalente operando sob condições semelhantes, o histórico térmico do próprio motor ou, quando aplicável, a temperatura ambiente.
| Comportamento observado | Prioridade sugerida |
| ΔT pequeno e estável em relação à referência | Manter o monitoramento de rotina e comparar com inspeções anteriores. |
| ΔT crescente ou acima do padrão histórico | Programar uma inspeção complementar e avaliar a causa na próxima janela de manutenção. |
| ΔT com evolução rápida ou acima do critério adotado pela planta | Priorizar a intervenção, considerando a criticidade do motor e suas condições de operação. |
A classificação deve ser sempre comparativa. Uma temperatura absoluta elevada não determina sozinha a severidade.
Da mesma forma, um valor aparentemente moderado pode exigir atenção quando representa um desvio relevante em relação ao comportamento normal do equipamento.
Além disso, a avaliação deve considerar a carga, a temperatura ambiente, o ponto de medição, o tipo de componente e os critérios definidos pelo fabricante ou pela planta.

Na termografia em motores elétricos, a emissividade indica a capacidade de uma superfície emitir radiação infravermelha.
Como a câmera termográfica estima a temperatura a partir da radiação recebida, uma configuração incorreta pode gerar resultados diferentes da temperatura real.
Carcaças pintadas costumam favorecer medições mais confiáveis, enquanto superfícies metálicas nuas, lisas ou polidas possuem baixa emissividade e alta refletividade.
Nesses casos, a câmera pode captar a radiação refletida por pessoas, equipamentos ou outras fontes de calor próximas, criando aparentes pontos quentes ou frios que não representam a temperatura do motor.
Para reduzir erros, o inspetor deve:
Confira um exemplo prático desse efeito na imagem abaixo, feita com uma câmera térmica sobre um ferro de passar roupas com diferentes emissividades na superfície.

Pelo princípio do equilíbrio térmico, ou lei zero da termodinâmica, depois de um tempo toda a superfície do ferro atinge a mesma temperatura real, mas cada região tem uma emissividade diferente.
Como a termografia infere a temperatura a partir da radiação captada, essas diferenças aparecem no termograma como se fossem variações reais de temperatura.
No canto superior direito, a superfície polida tem baixa emissividade e por isso registra a temperatura mais baixa da imagem, 33,3 ºC.
Na fita isolante com pequenos rasgos, a emissividade é maior e a leitura sobe para 61,6 ºC, embora as perfurações reduzam um pouco esse valor.
Mais abaixo, o furo no metal aumenta a emissividade local e aparece como uma região mais quente. Na parte inferior, a fita isolante em bom estado, com a maior emissividade da imagem, indica 65,5 ºC — valor mais próximo da temperatura real da superfície.
Esse exemplo mostra por que pontos de alta emissividade tendem a representar melhor a temperatura real do componente, e por que a calibração da emissividade é indispensável antes de qualquer inspeção comparativa.
Além disso, inspeções comparativas devem manter, sempre que possível, o mesmo ponto, ângulo, distância e configuração da câmera. Essa padronização melhora a repetibilidade dos termogramas e evita que mudanças no método sejam confundidas com alterações térmicas do motor.
Uma inspeção só se torna acionável quando o termograma vem acompanhado das informações necessárias para interpretar a anomalia e comparar o resultado com inspeções futuras.
Assim, na termografia em motores elétricos, a documentação técnica deve incluir:
Além disso, o relatório deve registrar as configurações e condições que influenciam a medição, como emissividade, temperatura refletida aparente, distância, condições ambientais e identificação da câmera utilizada.
Esse conjunto de informações permite que a equipe compreenda onde está o desvio, em quais condições ele foi encontrado e qual prioridade deve receber.
Dessa forma, o laudo deixa de ser apenas um arquivo de imagens e passa a apoiar decisões de manutenção.
A termografia periódica permite avaliar diferentes regiões do motor em uma mesma inspeção. O técnico pode comparar carcaça, caixa de ligação, mancais e sistema de ventilação, identificando anomalias que exigem investigação.
Entretanto, cada termograma registra apenas as condições encontradas no momento da rota. Uma alteração que surge entre duas inspeções pode evoluir sem que a equipe acompanhe seu início ou sua velocidade de progressão.
Por isso, o monitoramento contínuo e online de temperatura complementa a análise termográfica periódica e muda esse paradigma: em vez de depender apenas de rotas pontuais, sensores instalados em regiões críticas acompanham a evolução térmica ao longo do tempo, trazendo mais confiabilidade às medições e aos laudos.
A Dynamox oferece duas formas de medição online de temperatura, que podem ser combinadas conforme a necessidade da planta:
Sensor de infravermelho instalado de forma fixa, apontado para motores, transformadores ou quadros elétricos.
O equipamento captura imagens térmicas da área monitorada e envia os dados para a Plataforma Dynamox por meio do DynaGateway ou do aplicativo, permitindo acompanhar a condição térmica do ativo, definir regiões de medição e comparação, e ajustar a escala de cores e a emissividade diretamente pela plataforma.

Sensores sem fio instalados diretamente em motores, mancais, barramentos e outros pontos críticos, com medição contínua de temperatura e vibração.
Os dados ficam disponíveis na Plataforma Dynamox, com histórico completo e possibilidade de análise de eventos específicos.

Com o avanço da Indústria 4.0, a própria termografia também pode migrar de uma lógica baseada apenas em rotas para um acompanhamento online.
Soluções como o Dynamox Lens automatizam a aquisição de imagens térmicas de uma área do ativo, mantém o histórico das medições e reduzem a dependência de inspeções manuais repetitivas.
Por meio das análises térmicas dentro da Plataforma Dynamox, o analista emite o laudo de forma online, reunindo histórico de dados, imagens, termogramas e gráficos em um único lugar.
Isso ajuda o PCM (planejamento e controle da manutenção) a emitir ordens de serviço e o técnico a agir com mais eficiência em campo.
Assim, a planta combina a visão comparativa da termografia com a continuidade dos dados de temperatura, ampliando a capacidade de identificar defeitos, antecipar tendências e priorizar intervenções.
Uma imagem térmica isolada mostra uma condição momentânea, mas não oferece contexto suficiente para definir uma intervenção.
Para que o laudo seja acionável, a inspeção deve seguir um roteiro de pontos, utilizar referências comparáveis, registrar as condições de operação e aplicar critérios consistentes de severidade.
Dessa forma, a equipe consegue diferenciar uma variação normal de uma anomalia, priorizar os ativos e orientar as próximas etapas da manutenção.
Fale com os especialistas da Dynamox e conheça soluções para automatizar a termografia, acompanhar ativos críticos e transformar dados térmicos em decisões de manutenção.
Sim, desde que as condições de inspeção sejam semelhantes. Carga, temperatura ambiente, ponto de captura, distância, ângulo e configuração de emissividade podem alterar o resultado. Por isso, a equipe deve padronizar o procedimento para que a comparação represente uma mudança real no comportamento térmico do motor.
Superfícies metálicas nuas ou polidas podem refletir fontes de calor próximas e criar anomalias aparentes. Para reduzir esse efeito, o inspetor deve ajustar a emissividade e a temperatura refletida, além de alterar o ângulo de observação. Quando for seguro, também pode aplicar um alvo com emissividade conhecida no ponto de medição.
A frequência depende da criticidade do ativo, do regime de operação, do ambiente e do histórico de falhas. Motores críticos ou sujeitos a condições severas podem exigir intervalos menores. Se uma tendência térmica for identificada, a periodicidade deve ser revista até que a causa seja confirmada ou corrigida.
Não. A termografia identifica padrões de aquecimento, mas não confirma sozinha a origem da anomalia. A análise de vibração ajuda a investigar falhas mecânicas, enquanto as medições elétricas avaliam corrente, tensão e desequilíbrios. Portanto, as técnicas devem ser usadas de forma complementar.
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