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Manutenção 4.0: desafios da indústria brasileira

Entenda melhor o conceito de indústria 4.0 quais são os desafios da indústria brasileira para implementar a manutenção 4.0.

Susane Deparis

6 min

Publicado em 24/04/2023

Atualizado em 02/06/2026

Você já está familiarizado com o conceito de indústria 4.0? E manutenção 4.0? Já ouviu falar? 

Neste post, vamos apontar as oportunidades e desafios da implementação da manutenção 4.0 na perspectiva da indústria nacional. Mas, antes de começarmos, vamos entender melhor alguns conceitos que estão relacionados com a jornada da indústria 4.0.

Pensando na evolução da maturidade 4.0 em empresas, ao longo do tempo, pode-se destacar como itens primordiais, e subsequentes, as seguintes etapas:  

  • Digitalização dos Dados;
  • Visualização da Informação; 
  • Predição;
  • Prescrição.
indústria 4.0

Entendendo que existem essas etapas para se atingir a maturidade 4.0, pode-se apontar os desafios e oportunidades particulares a cada uma delas.

Digitalização dos Dados   

A primeira etapa, de digitalização, consiste em trazer para perspectiva de sistemas digitais o máximo de dados possíveis referentes ao processo produtivo e seus ativos. Dentre os quais se pode exemplificar: parâmetros de processo (setup do maquinário), indicadores de anomalias (saúde dos ativos), indicadores de disponibilidade dos ativos, controle de qualidade do processo, dentre outros.  

Para viabilizar a entrada nesse contexto de transformação digital da empresa, é fundamental a aplicação de bom(ns) sistema(s) de monitoramento e coleta de dados, utilizando, por exemplo, sensores digitais que coletem os dados do processo e do funcionamento dos ativos, ao mesmo tempo que se considere a digitalização de dados imprescindíveis provenientes da observação/análise de seres humanos, como por exemplo as anomalias encontradas em uma inspeção sensitiva no chão de fábrica.   

Alguns desafios certamente se farão presentes nessa perspectiva de entrada na digitalização:

Os 4 principais desafios da digitalização na indústria 4.0  

Cultura/resistência organizacional: já comentamos em textos aqui no blog, o quão resistente pessoas e equipes podem ser a novas tecnologias e processos. Em muitos locais ainda impera a cultura do papel e prancheta, ou de coleta manual de dados. Então, novas tecnologias sempre enfrentarão barreiras iniciais e a cultura organizacional pode ser um desacelerador da digitalização se não tratada com atenção.   

Pessoas capacitadas: sem pessoas, não há transformação. Trazer pessoas experientes, investir em treinamentos e capacitação interna podem ser meios de garantir que o processo de transformação seja inovativo e ao mesmo tempo bem estruturado;   

Não saber por onde e como começar: há uma infinidade de tecnologias e opções no mercado. Levantar os processos internos principais e identificar os mais críticos, com mais retrabalhos ou que possam de alguma forma trazer o maior resultado com sua digitalização pode ser um caminho. Priorização aqui é a palavra-chave.  

Disponibilidade de sinal / conectividade: em se tratando de automatização na coleta de métricas relevantes para acompanhamento da saúde do processo, a conectividade em regiões mais remotas pode também ser desafio na implantação de programas de digitalização. Por isso, é importante o envolvimento da equipe de TI desde o início para garantir que não haja surpresas nesse contexto.  

Vencido os desafios de entrar nessa etapa de digitalização, entra-se na próxima etapa de amadurecimento da indústria 4.0, que é a de visualização da informação.  

Visualização da informação  

A etapa de visualização da informação é responsável por apoiar na interpretação do cenário do ativo/processo, partindo do “o que aconteceu” (dado) para o “o que está acontecendo” (informação).   

Nessa etapa, deve-se trabalhar os dados obtidos para que sejam apresentados da forma mais clara e facilitada possível, a fim de serem transformados em informações úteis para quem ou o que os esteja consumindo.   

Como principal desafio nessa etapa está a descentralização dos dados. É comum as empresas possuírem diversos sistemas de aquisição de dados desacoplados com análises individuais e não correlatas entre si, resultando em visões centradas na ferramenta/método de aquisição de dados e não centrada no ativo/processo como deveria ser.  

As oportunidades para contornar esse desafio geralmente baseiam-se em integrações entre sistemas e disciplinas de monitoramento, colocando como centro o ativo/processo e orbitando ao redor dele ferramentas de monitoramento que apresentam os dados através de gráficos, dashboards e relatórios personalizados da forma mais clara e intuitiva possível.   

Em resumo, aqui deve-se trabalhar para dar sentido aos dados, transformando-os em informação centralizada e pertinente.  

Predição  

Sabendo-se o “que aconteceu” e “o que está acontecendo” (Digitalização dos Dados e Visualização da Informação, respectivamente), pode-se partir para “o que acontecerá?”. E é nesse terceiro nível de maturidade da indústria 4.0 que se apresenta o conceito de predição.   

Ao se aplicar bons modelos analíticos nas informações coletadas, os comportamentos podem ser mapeados e compreendidos no que diz respeito ao funcionamento do ativo/processo e, assim, pode-se começar a prever o que acontecerá com o ativo.  

Majoritariamente os desafios para etapa de predição se encontram na ausência de correlação entre as análises aplicadas. Nessa etapa, mesmo com os dados centralizados corre-se o risco de a análise não levar em consideração as frentes correlacionadas, resultando em um comportamento individual compatível apenas aos dados de input da análise. Desse modo, cada procedimento/ferramenta de medição gera uma previsão de comportamento individual como se fossem independentes entre si. Porém, sabe-se que existem inúmeras interdependências entre os processos/componentes e a correlação entre as análises é fundamental.   

Nessa perspectiva de problemas em conectar essas análises pode-se listar como “antídoto” a aplicação de conceitos tecnológicos/inovadores como o Digital Twins. Nesse conceito espelha-se a realidade dos equipamentos a um ambiente virtual, tal que a máquina real e o “gêmeo digital” estão em comunicação constante. Portanto, simulando o comportamento do ativo de uma forma mais completa e correlacionada, pode-se prever com mais assertividade a condição dos ativos/processos e consequentemente corresponder a etapa de predição.  

Nessa etapa também é importante aliar-se a parceiros de qualidade que tenham know-how técnico para desenvolver modelos de predição em conjunto. Então, fuja de soluções milagre e métodos generalistas que prometem funcionar para todos os tipos de ativos e processos.  

Prescrição  

Entendendo que não adianta prever o comportamento de um ativo/processo sem tomar uma ação que evite e/ou amenize os efeitos negativos desse comportamento, alcançamos a quarta etapa da maturidade 4.0, a etapa de prescrição.  

Na prescrição, o objetivo é determinar qual ação/reação deve-se tomar frente a um problema encontrado/previsto. E nessa etapa situa-se o verdadeiro valor das aplicações 4.0, pois os efeitos da falha e desvios de processo serão atenuados, podendo prolongar a vida de ativos e melhoras processos de produtivos. 

Enfrentando desafios 

Como desafio a essa etapa entra a necessidade de se conhecer com propriedade as particularidades dos ativos e dos processos. Esse conhecimento é fundamental tanto para criação de regras lógicas que entreguem um plano de ação a partir dos comportamentos previstos, quanto para validação de modelos de ML que prometem gerar laudos e planos de ação sobre as condições.  

Importante nessa etapa, até para que se possa vencer os desafios comentados, levar em conta a opinião e a experiência de pessoas chave, com anos de vivência na área/processo. Essas pessoas serão relevantes na validação de detecções automatizadas, bem como na assertividade das prescrições realizadas. Por isso, o processo de ajustes de modelos de detecção conforme a opinião e experiência dessas pessoas chave fará com que o conhecimento fique retido na organização e se reduza qualquer dependência de pessoal.    

Por fim, entende-se que os desafios e oportunidades da indústria 4.0 e da manutenção 4.0 variam do momento/maturidade de cada empresa dentro desse contexto.  

A Dynamox possui uma solução completa que pode ajudar em todas as etapas comentadas ao longo desse texto, desde o processo de digitalização (com sensores e gateways para coleta automatizada de dados + app para registro de inspeções sensitivas), passando pela visualização da informação (com plataforma web e dashboards de análise de dados), até as etapas de predição e prescrição (com aplicação de detecção automatizada em ativos, bem como ferramentas de previsibilidade e possibilidade de ações recomendadas). 

Gostou deste artigo? Continue navegando no blog e leia “7 benefícios da Solução Dynamox na manutenção”.

Susane Deparis

Susane Deparis

Gerente comerialDynamox21 publicações
Sobre

Engenheira Civil especialista em gestão dos custos de implantações industriais. Agora, com foco na estratégia comercial voltada a manutenção de ativos industriais, concentro-me em desenvolver parcerias estratégicas com clientes. Trazendo soluções personalizadas que impulsionam a eficiência operacional e promovem o retorno a curto prazo.

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