
Entenda como calcular a relubrificação de rolamentos, definir intervalos e evitar excesso ou falta de graxa na manutenção industrial.
A relubrificação de rolamentos pode falhar por excesso ou por falta de graxa.
No primeiro caso, o rolamento recebe mais lubrificante do que o necessário, a temperatura de operação sobe e a intervenção precisa ser antecipada.
No segundo, a graxa insuficiente deixa as superfícies sem proteção adequada e acelera o desgaste. Nos dois cenários, a manutenção foi executada, mas sem o controle necessário sobre quantidade, intervalo e condição do ativo.
Embora pareça uma atividade simples, relubrificar raramente é uma tarefa feita com precisão. Muitas equipes ainda trabalham por estimativa, por hábito ou pelo critério visual de “aplicar até sair graxa velha”, o que pode levar tanto à falta quanto ao excesso de lubrificante.
Por isso, relubrificar exige método. Neste artigo, você vai entender como calcular a quantidade e o intervalo de relubrificação, quais fatores precisam ser considerados e como aplicar uma versão simplificada para a rotina de campo ou uma versão mais completa para ativos críticos.
Na relubrificação, o excesso também prejudica o rolamento, sobretudo quando a aplicação ocorre sem cálculo, sem controle de volume ou sem considerar a condição operacional do ativo.
Os dois extremos geram problemas diferentes:

Além disso, a quantidade correta não depende apenas do porte do rolamento. O método de aplicação, o tipo de mancal, a rotação, a temperatura e o ambiente também interferem no resultado da relubrificação.
Por isso, tanto a quantidade quanto o intervalo precisam ser calculados, não estimados.
Para estimar a quantidade de graxa por aplicação, um dos cálculos utilizados na relubrificação considera o diâmetro externo e a largura do rolamento:
G = 0,005 × D × B
Em que:
Considere, por exemplo, um rolamento com 80 mm de diâmetro externo e 21 mm de largura. Aplicando os valores:
G = 0,005 × 80 × 21
G = 8,4 g
Nesse caso, a referência de quantidade é de 8,4 gramas de graxa por aplicação. Ou seja, o resultado não representa um volume acumulado ao longo das intervenções.
Os valores de D e B devem ser consultados a partir da designação do rolamento ou no catálogo técnico do fabricante. Não é recomendável estimar essas dimensões visualmente ou obtê-las por uma medição improvisada em campo.
Por fim, essa fórmula funciona como referência geral de cálculo. Para ativos críticos ou aplicações com requisitos específicos de lubrificação, as orientações do fabricante do rolamento e do sistema de aplicação devem ser consideradas na definição da quantidade.
O intervalo de relubrificação pode ser estimado a partir das características do rolamento e das condições em que ele opera. Um método de cálculo utiliza a seguinte fórmula:
T = K × [(14.000.000 / (n × √Di)) − (4 × Di)]

Em que:
Nesse método, o valor de K ajusta o intervalo conforme temperatura, contaminação, umidade, vibração, posição de montagem e tipo de rolamento.
Ou seja, o cálculo não considera apenas a dimensão do componente ou sua velocidade, as condições reais de serviço também interferem na frequência de aplicação.
O valor de K é obtido multiplicando os seis fatores de correção abaixo, cada um relacionado a uma condição de operação do rolamento.
K = Ft × Fc × Fh × Fv × Fp × Fd
Quando todas as condições são consideradas ideais (fator igual a 1), o intervalo calculado corresponde ao cenário mais favorável.
Na prática, porém, basta uma condição mais severa, como mais calor, mais contaminação ou mais vibração, para que o fator correspondente caia abaixo de 1 e reduza o intervalo de relubrificação.

Entre os principais fatores que alteram a relubrificação de rolamentos, estão:
Portanto, o intervalo calculado deve ser usado como ponto de partida para a relubrificação de rolamentos.
A periodicidade precisa considerar as condições de operação e ser revisada sempre que houver mudanças relevantes no comportamento do ativo.
Nem toda planta conta com uma estrutura dedicada à gestão da lubrificação. Nesses casos, um roteiro básico ajuda a reduzir erros de aplicação e a dar mais controle à relubrificação de rolamentos.
Antes de conectar a engraxadeira, remova sujeira e resíduos do ponto de aplicação. Caso contrário, contaminantes podem ser introduzidos junto com a graxa nova.
Com o rolamento em movimento, a graxa tende a se distribuir de forma mais uniforme na região de trabalho. Essa prática, porém, deve respeitar os procedimentos de segurança e as condições de acesso ao ativo.
Use o valor definido para aquela aplicação e evite completar o serviço com base apenas em critérios visuais.
Mesmo uma planilha simples já permite acompanhar quando a relubrificação foi realizada e quanto de graxa foi utilizada.
Esse passo a passo representa o mínimo viável para uma relubrificação mais controlada. Em ativos críticos, porém, o processo exige maior rastreabilidade, validação técnica e acompanhamento das condições de operação.
Em ativos críticos, a relubrificação exige um nível maior de controle.
A fórmula geral pode servir como ponto de partida, mas a definição da quantidade e do intervalo deve considerar as recomendações específicas do fabricante e as condições de operação do rolamento.
O primeiro passo é identificar o rolamento e consultar a documentação técnica correspondente.
As curvas e tabelas do fabricante permitem definir a quantidade e o intervalo de relubrificação considerando as características do componente e sua aplicação.
Assim, a equipe não depende apenas de uma fórmula geral para planejar a intervenção.
Com os requisitos definidos, compare as opções de graxa compatíveis com o rolamento e as condições de operação. Temperatura, carga e características da aplicação devem fazer parte dessa avaliação antes da escolha final.
Quando houver troca de produto, é necessário verificar a compatibilidade com a graxa já presente no ponto.
Caso essa compatibilidade não esteja confirmada, a substituição deve seguir um procedimento específico para evitar a mistura inadequada dos lubrificantes.
A quantidade por aplicação e o intervalo de relubrificação devem ser formalizados no plano de manutenção.
Dessa maneira, o técnico recebe uma orientação definida antes do serviço e não precisa estimar o volume ou a frequência em campo.
➡️Leia também: Como elaborar um Plano de Lubrificação Industrial?
A intervenção deve ser vinculada à ordem de serviço e registrar:
Enquanto a versão simplificada estabelece um controle mínimo para a rotina, o processo completo acrescenta rastreabilidade e maior precisão com base nas recomendações específicas do fabricante, e não apenas em uma fórmula geral.
A relubrificação de rolamentos não termina quando a engraxadeira é retirada do ponto.
Depois da aplicação, acompanhar a temperatura ajuda a verificar como o rolamento respondeu à nova quantidade de graxa.
Um aumento inicial da temperatura pode ocorrer após a relubrificação. Nesse período, os elementos rolantes movimentam e redistribuem a graxa dentro do rolamento.
Com a acomodação do lubrificante, a tendência é que esse pico seja transitório e a temperatura comece a diminuir.

Observe a tendência:
Por isso, o comportamento ao longo do tempo é mais relevante do que um valor isolado. O monitoramento da tendência de temperatura ajuda a verificar se a quantidade e o intervalo adotados na relubrificação permanecem adequados para aquele ativo.
A relubrificação de rolamentos não deve ser tratada como uma tarefa baseada em estimativa.
Quantidade e intervalo precisam partir de critérios técnicos, porque tanto o excesso quanto a falta de graxa podem comprometer o comportamento do rolamento.
Ainda assim, o cálculo não encerra a análise. Seja em uma rotina simplificada ou em um processo mais completo para ativos críticos, é o acompanhamento da temperatura ao longo do tempo que ajuda a verificar se a estratégia adotada está funcionando para aquele ativo específico.
É nesse ponto que o monitoramento de condição amplia o controle da lubrificação. Com sensores sem fio para acompanhamento de vibração e temperatura, e a Dynamox Platform para análise do histórico dos ativos, a equipe consegue observar tendências, identificar desvios e relacionar mudanças de comportamento às intervenções realizadas.

Se você quer entender como aplicar o monitoramento de condição na relubrificação dos seus ativos, nossos especialistas estão disponíveis para tirar suas dúvidas. Entre em contato conosco!
Não existe um único intervalo adequado para todos os rolamentos. Uma forma de estimar o tempo de relubrificação é usar a fórmula:
T = K × [(14.000.000 / (n × √Di)) − (4 × Di)]
Em que T representa o tempo de relubrificação, n é a rotação do eixo, Di é o diâmetro interno do rolamento e K reúne os fatores de correção relacionados às condições de operação.
Velocidade, temperatura, contaminação, umidade, vibração e posição de montagem podem alterar o resultado. Por isso, o intervalo calculado deve ser tratado como ponto de partida e acompanhado ao longo da operação.
Sim. Um aumento inicial de temperatura pode ocorrer durante a distribuição da graxa dentro do rolamento. Após essa fase, a tendência esperada é de redução e estabilização da temperatura.
Uma temperatura que continua elevada ou não apresenta tendência de queda deve ser investigada. O comportamento térmico ao longo do tempo oferece mais informação do que uma medição isolada.
O primeiro critério é verificar se a quantidade e o intervalo definidos foram respeitados. Em seguida, a equipe deve acompanhar a resposta do rolamento durante a operação, especialmente a tendência de temperatura.
Um aumento transitório seguido de estabilização é compatível com a distribuição inicial da graxa. Já uma elevação persistente exige investigação. Registrar a intervenção ajuda a relacionar mudanças no comportamento do ativo à data e às condições da relubrificação.
Entusiasta da transformação por meio do conhecimento e educação. Anos de engenharia e experiência na indústria se transformaram em conteúdos ricos e transformadores que hoje são usados para alavancar, dar sentido e direção a milhares de carreiras.

Não perca as novidades e atualizações da Dynamox