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Autocorrelação: identificando sinais de vibração de máquinas

Autocorrelação: identificando sinais de vibração de máquinas

Aprenda como utilizar os gráficos de autocorrelação para identificar os modos de falhas e sinais de vibração em equipamentos industriais.

Alisson Moura

4 min

Publicado em 22/07/2021

Atualizado em 08/10/2026

Sinais de vibração: a autocorrelação é uma ferramenta de identificação de defeitos em máquinas, que, a partir da análise do domínio do tempo, correlaciona formas de onda consigo mesmas para calcular um fator de correlação a cada instante de tempo.

A caracterização de períodos é a base da técnica de análise de vibrações na manutenção preditiva.

Quando máquinas rotativas apontam indícios de falhas, grande parte dos defeitos apresentam características periódicas, como: 

  • cada passagem de um elemento rolante sobre uma trinca na pista externa de um rolamento;
  • cada engrenamento de um dente defeituoso num conjunto coroa-pinhão de um redutor;
  • cada revolução de uma massa desbalanceadora presente no rotor;
  • a passagem de cada pá de um ventilador com trincas por um ponto de referência fixo. 

Com as informações geométricas, construtivas e operacionais dos componentes, é possível determinar o período e, portanto, a frequência com a qual estes eventos ocorrem.

A partir da determinação de período e frequência, usa-se a autocorrelação da forma de onda, uma vez que ela se altera quando surge um defeito em uma máquina rotativa.

Quando notada esta alteração, passa-se para um nível de análise mais detalhado para confirmar a existência de um defeito e definir os modos de falha e as recomendações de ação.

O resultado do uso da ferramenta é uma forma de onda autocorrelacionada que indica a presença de eventos periódicos no sinal de vibração, pois o valor máximo do fator de autocorrelação tende a 1 para um sinal periódico e a autocorrelação é periódica.

Por outro lado, se o sinal é aleatório, o valor máximo do fator de autocorrelação tende a 0 e a autocorrelação é aleatória.

Análise de anomalia na forma de onda e autocorrelação: sinais de vibração

Nas figuras abaixo, apresentam-se estágios progressivos da evolução de um defeito na pista externa de um rolamento, localizado em um mancal de um tambor de descarga de uma empilhadeira-retomadora de roda de caçambas, operando a 60 rpm e observam-se os efeitos na forma de onda de aceleração e em sua autocorrelação.

forma de onda
Análise de anomalia

Gráfico de autocorrelação: sinais de vibração

13 de julho

Com o rolamento sem defeito, o RMS da forma de onda no eixo axial é de 0.0276g e o da autocorrelação é de 0,0510g.

Os eventos periódicos do rolamento não possuem energia relevante no sinal de vibração e a autocorrelação é predominantemente aleatória.

Forma de onda

31 de julho

Quando o defeito está em sua fase incipiente, nenhuma alteração fica evidente na forma de onda.

O aumento no RMS da forma de onda é de 6,5% na direção axial. Além disso, há a alteração do sinal de autocorrelação: ele se torna periódico, seu RMS aumenta 91% na direção axial e o pico positivo do fator de correlação ultrapassa 0,25 em diversos momentos.

29 de agosto

Neste estágio, nota-se o defeito na forma de onda. Ela também começa a exibir uma característica periódica e uma evolução relevante de RMS – 411% em relação ao estágio anterior na direção axial.

Apesar de esta ser uma característica de defeito mais evidente e assertiva, ela apenas foi notada na forma de onda cerca de 1 mês depois das alterações identificadas na autocorrelação.

Esta, por sua vez, se torna predominantemente periódica e seu pico positivo ultrapassa o valor de 0,85 em todos os ciclos.

Como se vê, a autocorrelação é uma ótima ferramenta de monitoramento de condição de ativos industriais, pois ela é capaz de alertar o analista de vibração sobre a existência de uma condição anômala com bastante antecedência.

Quando somada a outras ferramentas de análise de vibração, como a forma de onda circular, o potencial da autocorrelação fica ainda mais evidente.

Na figura abaixo, mostra-se como a forma de onda circular de autocorrelação, do caso exemplificado acima, evolui do dia 13 de julho, sem defeito, para o dia 29 de agosto, com defeito de alta severidade.

Forma da onda circular: ausência de oscilações

13 de julho

A forma de onda circular da autocorrelação não apresenta oscilações.

29 de julho

A forma de onda circular da autocorrelação exibe 4 oscilações a cada volta de 0,0686s.

Esta duração de volta equivale a 14,5Hz, que corresponde à frequência de defeito na pista externa do rolamento. As 4 oscilações ocorrem a um período de 0,97s, que equivale a 58Hz, que é o 4º harmônico da frequência de defeito na pista externa do rolamento.

Para possibilitar análises como estas realizadas até aqui, agora a Dynamox disponibiliza a autocorrelação da forma de onda na Plataforma Dynamox Web, no navegador do cliente, usando dados armazenados em nuvem e totalmente online.

Ela permite a análise de sinais de aceleração, velocidade e deslocamento, brutos ou filtrados digitalmente, o uso de cursores de períodos e a manipulação do gráfico com diferentes ferramentas, facilitando a identificação de eventos periódicos e a determinação da frequência destes eventos.

Além disso, é possível visualizar e manipular a forma de onda circular da autocorrelação, como descrito neste artigo.

Acesso a autocorrelação: sinais de vibração

A autocorrelação está disponível nas páginas de Spectral e Comparação Espectral. Pode ser habilitada ou desabilitada clicando-se no Toggle localizado no canto superior direito destas páginas.

Já a forma de onda circular da autocorrelação pode ser habilitada ou desabilitada com o Toggle localizado no canto superior esquerdo do gráfico de autocorrelação.

Ferramentas de Processamento de Sinais

Como a autocorrelação depende totalmente da forma de onda, quando se aplica um determinado processamento ao sinal, ele se reflete na autocorrelação. Portanto, se aplicarmos um filtro passa-baixa com corte de 300 Hz no sinal, a autocorrelação será resultante do sinal.

Da mesma forma, se ocorre uma transformação para velocidade ou deslocamento, ela se reflete sobre a autocorrelação.

Ferramentas de Análise

Todas as ferramentas disponíveis para auxiliar na análise da forma de onda também estão disponíveis para análise da autocorrelação no canto superior direito do gráfico. Portanto, é possível aplicar diferentes comandos. Isto é, desde tipos de zoom, arrastar, definir limites dos eixos, aplicar cursor de período, adicionar anotações, exibir até esconder as estatísticas e a grade de referência.

Continue navegando! Para isso, leia mais sobre as ferramentas de formas de onda circular e espectro em cascata. Bem como sobre gráficos interativos e personalizados que auxiliam na análise de falhas em ativos industriais, via Plataforma Dynamox Web.

Alisson Moura

Alisson Moura

Especialista em aplicação de vendasDynamox113 publicações
Sobre

Possuo sólida experiência em manutenção industrial, com 15 anos de atuação na área de manutenção preditiva nos mais diversos segmentos da indústria brasileira; Atuei em todos os cargos relativos à manutenção preditiva, iniciando como inspetor de coleta de dados, chegando a Especialista em Preditiva. Perfil totalmente voltado à Indústria 4.0, Manutenção Prescritiva e Centrada em Confiabilidade. Atualmente atuo como especialista de aplicações em projetos de monitoramento online de ativos através de tecnologia IoT focando em aumento da segurança dos colaboradores, redução de custos e aumento de produtividade nas empresas de mais de 40 países.

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