Inspeção sensitiva, “ao infinito e além!”

Inspeção sensitiva, “ao infinito e além!”

A tecnologia ajuda, cada vez mais, a inspeção sensitiva a melhorar as condições de trabalho das pessoas em campo, otimizando a execução das suas tarefas. Na gestão de ativos, a inspeção sensitiva, como parte das atividades nas rotas de manutenção, tem um papel importante porque preserva e assegura a função do ativo. Além disso, quando aliada à manutenção preditiva e ou prescritiva tem-se uma poderosa ferramenta de análise por multiparâmetros.

A Inspeção Sensitiva

A inspeção sensitiva é uma das técnicas mais utilizadas em estratégias de manutenção preditiva. Ela pode ser entendida, dentro da área de manutenção, como a técnica da utilização dos sentidos para captar informações no que se refere à integridade física dos equipamentos industriais, com o objetivo de diagnosticar potenciais falhas.

Mesmo utilizando uma prancheta e um papel, a sensitiva é extremamente importante para execução da coleta de dados em campo. O seu enfoque principal está na busca por identificar situações anômalas. Estas são inúmeras e variam de equipamento para equipamento, por exemplo, anomalias em ruído, temperatura, vibração, existência de vazamentos, folga, desalinhamentos, desgaste, além de situações ligadas à segurança das pessoas e ao meio ambiente.

As indústrias necessitam de uma equipe qualificada, conhecedora na prática e na teoria do comportamento dos seus equipamentos. É necessário que mesmo pequenas observações sejam anotadas para um bom resultado da inspeção sensitiva, sendo fundamental a elaboração detalhada das rotas, usando formulários e definindo o tipo de inspeção a ser feita e os pontos a inspecionar para cada tipo de equipamento.

Na maioria dos casos, a inspeção sensitiva tem como objetivo alimentar a engenharia ou planejamento de manutenção com essas informações, que normalmente são utilizadas para detecção de falha em estágio inicial. Como a percepção humana pode falhar, é importante a combinação das informações sensitivas com outros instrumentos de medição como analisadores de vibração, termografia, ultrassom, etc.

Infográfico: Sensitiva – Foco no Resultado

O perfil do Inspetor Sensitivo

É esperado do profissional envolvido no processo de inspeção sensitiva a consciência da sua missão dentro da empresa, devendo ser capacitado a agir de acordo com os dados que coleta no campo e com as normas técnicas aplicadas. Ele é responsável pela segurança operacional, pela integridade estrutural dos equipamentos e pelas instalações das indústrias onde trabalha, promovendo a continuidade da operação.

A princípio, o técnico de inspeção de equipamentos deve ser um dos mais capacitados da equipe da manutenção, necessitando ser, dentre outras qualidades, um profissional observador, com curiosidade técnica, metódico e organizado em relação ao planejamento de inspeção, ter um respaldo técnico para sua tomada de decisão, ser exigente no que diz respeito a qualidade dos equipamentos e da manutenção, muito atencioso, consciente e, acima de tudo, responsável.

Tratando-se de habilidades sensitivas, torna-se crucial a experiência do inspetor para executar seu trabalho. Além disso, os profissionais selecionados para atuarem como inspetores devem ser continuamente treinados, especialmente quando os itens de inspeção ou mesmo a rota é revisada e ajustada.

Duas pessoas olhando para um tablet numa fábrica

Figura: Técnicos de inspeção

O que é e para que serve a Rota de Inspeção

Consiste basicamente na verificação periódica e sequencial da condição de componentes de determinados maquinários, dentro das premissas da TPM (Total Productive Maintenance), que deve respeitar a natureza mecânica ou elétrica da verificação. Melhor se for feita de forma sensitiva e preditiva.

Na elaboração das rotas de inspeção é necessário ter a clareza de que neste tipo de tarefa não se executam atividades específicas de manutenção, como substituição ou reparação. Mas, inspeções buscando identificar possíveis indícios de falha, para que ações corretivas possam ser planejadas e executadas, mantendo o sistema produtivo operacional.

A elaboração de um plano de rota visa sistematizar as tarefas de inspeção sensitiva que devem ser executadas:

  • em equipamentos, considerando sua criticidade;
  • em pontos específicos a serem inspecionados;
  • numa periodicidade determinada;
  • determinando quem é o responsável pela tarefa.

Para isto, busca-se a criação de um formulário com o uso de checklists ou listas de verificação do que precisa ser inspecionado, visando abranger todos os equipamentos. Indica-se a criação de tópicos como nome do equipamento e/ou instalação, a data da inspeção, os itens a serem verificados, de preferência com o critério de conformidade a ser verificado, e o campo para anotação de potenciais problemas, que deverão ser posteriormente tratados pela manutenção.

Elaborar rotas de manutenção e executar a inspeção de forma eficiente vai ajudar a:

  • identificar falhas antes que elas aconteçam, diminuindo gastos com manutenções corretivas e preventivas;
  • evitar paradas de produção não programadas;
  • obter troca mais eficiente de peças de reposição, prolongando a vida útil dos ativos;
  • aumentar a disponibilidade e confiabilidade do maquinário;
  • diminuir riscos de segurança para os colaboradores.

O registro da informação de inspeção sensitiva

Tradicionalmente o uso de planilhas para anotações e registros em campo são os meios de registro das informações obtidas, mas já surgem sistemas online e offline. A ideia principal é de que o uso de checklists faz com que as inspeções tenham um critério padronizado de execução. Sem lista de verificação, seja ela em meio físico ou digital, a inspeção sensitiva se torna um processo muito pessoal de cada inspetor, por este motivo a definição da lista como um padrão que possa ser controlado e aprimorado é importante.

O papel tudo aceita, até mesmo o registro de uma inspeção não realizada. Duvida ou já teve uma experiência que, no mínimo, deixou essa dúvida?

A informação deve chegar o quanto antes ao planejamento de manutenção. Assim, as rotinas internas poderão ser acionadas, abrindo uma ordem de serviço com o detalhamento da intervenção de manutenção. E, ainda, a mão de obra pode ser programada e eventual parada ser negociada em conjunto com a equipe de operação para que se tenha o menor impacto possível para a produção.

A Inspeção Sensitiva com o Machine Learning 

Uma das ferramentas mais promissoras para melhoria dos indicadores na área é o Machine Learning (Aprendizado de Máquinas), uma técnica de inteligência artificial capaz de correlacionar diversos dados, analisá-los e aprender a interpretar padrões, decidindo qual ação tomar para cada situação encontrada. Para tal, as informações qualitativas geradas por meio da inspeção sensitiva por quem está em campo diariamente em contato com as máquinas são indispensáveis para auxiliar neste aprendizado.

Por exemplo, por meio da análise dos dados medidos na inspeção preditiva, o algoritmo de Machine Learning pode aprender os comportamentos típicos dos níveis de vibração e de temperatura de um mancal de rolamento ao longo do tempo. Alimentado por informações periódicas da inspeção sensitiva, o algoritmo aprende a associar as situações de defeito avançado, identificáveis em campo, à elevação da vibração e da temperatura acima de determinados níveis. Desta forma, com a experiência, o algoritmo começa a identificar as tendências de vibração e temperatura que indicam um defeito em desenvolvimento, prevendo quando serão atingidos os níveis de defeito em estágio avançado e ajudando a decidir quando deve ser realizada uma parada para manutenção deste mancal.

Os algoritmos de detecção de defeito podem ser abastecidos por observações, eventos, informações de manutenção corretiva efetuada (ex: adição de graxa), também vindos da inspeção sensitiva. A maneira como essas informações estão disponíveis se torna relevante para o diagnóstico ou conclusão dos algoritmos. No último estágio de sofisticação e integração de sistema, a sensitiva permite também validar a pertinência dos algoritmos em campo, pois uma vez realizada a intervenção prescrita dentro dos padrões de qualidade, o diagnóstico deve se normalizar.

Portanto, trata-se de uma ferramenta que pode analisar rapidamente a grande quantidade de dados gerados na Engenharia de Manutenção da indústria atual, encontrando padrões difíceis de serem identificados por análise humana e influenciando decisões que impactam a confiabilidade dos ativos envolvidos no processo produtivo.

A Inspeção Sensitiva como parte das soluções da Dynamox

Por isso, na esteira de soluções relevantes para a indústria, que a auxiliem a melhorar seus processos internos e ganhar produtividade através do uso da tecnologia, a Dynamox entrega ao mercado sua versão de Sistema de Inspeção de Rota, denominado, DynaSens. Esta ferramenta é disponibilizada para quem simplesmente quer estruturar seu processo de inspeção sensitiva e, também, para quem quer complementar e cruzar as informações de manutenção preditiva sistêmica (coleta de sensor fixo, contínuo ou periódico). Aí é onde surge o conceito de Inspeção Integrada onde a sensitiva e a preditiva contínua se complementam diretamente, permitindo uma maior pertinência nas análises. Maiores detalhes sobre o DynaSens propriamente dito, serão divulgados em breve.